Together_by_MikeinelResposta a uma pergunta sobre descodificação das nossas programações:

Os padrões que nos são propostos para nos transformarmos vêm um atrás do outro numa ordem bem definida. Não podemos querer fazer um inventário e desprogramar o todo de uma só vez, porque, nesse caso, cairíamos na armadilha eventual do turismo psíquico com a vontade e a ambição de ser o mais puro e de realizar-se muito depressa. E aí, é ainda o ego que manifesta o seu voluntarismo para se manter vivo, ou verosímil e, em todo o caso, reconhecido. Os padrões são um pouco como uma pirâmide de latas de feijões num supermercado, em que não podes tirar uma que esteja em baixo, que é talvez a dos teus 18 meses de idade; porque se a retirares, é toda a pirâmide que desmorona, e nesse caso o teu sistema nervoso não aguenta. Mas como tu és mãe de família e tens responsabilidades, não to podes permitir. Podes só chegar às latas que estão em baixo, levantando as que estão em cima primeiro, uma após a outra, isto é, levantando o superficial para chegar ao centro. E quem é que te mostra estas memórias superficiais? Bem, é o pai dos teus filhos, são os teus filhos. Eles mostram-te as coisas agradáveis e as coisas desagradáveis, ou as coisas que não são nem uma coisa nem outra mas que é preciso ver. Então, o teu companheiro tem certamente coisas em comum não só com o teu pai adoptivo, mas também com o teu pai biológico. O teu pai adoptivo exprime exactamente o contrário do que o teu pai biológico exprimiu, porque atraímos sempre uma ou outra das duas facetas que constituem os dois pólos contrários de cada memória. Podes colocar na água diamante a intenção muito simples de atravessar este crash, mas nesse momento a água vai pôr a andar todo o mecanismo, através da tua filha mais nova, ou da tua filha mais velha, ou do teu marido, ou dos teus amigos aqui na região, ou também com a ajuda dos sonhos, onde te vão mostrar e explicar coisas que serão pequenos pormenores a descascar antes de chegar ao centro. E antes de chegar do superficial ao centro, há talvez 40 intenções a colocar durante 6 meses.

Vamos tomar um exemplo muito simples. Supondo que uma pessoa põe na água uma intenção banal, completamente material. Esta pessoa faz um caminho, ela não é muito rica, ela vive com uma filha pequena, e ela quer mudar de casa, porque ela vive num bairro barulhento, sujo e paga uma renda cara. Ela queria mudar-se para um local particular, num rés-do-chão, na cidade, com um pequeno jardim – o que não é fácil – não pagar muito caro, e ter meios de transporte acessíveis para que a filha vá à escola. É algo difícil encontrar, numa capital pelo menos. Então ela colocou a intenção na água, de encontrar um alojamento que seria favorável à sua evolução e à da sua filha. E o que se passou entre o momento em que ela colocou a intenção e em que encontrou? Porque a sua intenção realizou-se. Ela tomou consciência de imensas coisas que outras pessoas ao seu redor lhe mostraram, ela teve de descodificar todos os dias ou todos os dois ou três dias, nomeadamente os traumatismos das mudanças que ela tinha tido quando era bebé, pela história de uma vizinha que lho contou. Isto é, que cada mudança tinha sido um traumatismo inconsciente, mas ela nem o sentia porque se tinha sentido feliz por se mudar várias vezes nestes últimos anos. Mas uma parte do subconsciente dizia: “Tenho medo, tenho medo, tenho medo”, e o medo impede o evento de se realizar. Ele concretiza-se no ecrã do quotidiano. Se ela ouviu a sua vizinha contar-lhe que se mudou frequentemente e que a sua filha ficou perturbada, e que ela compreende que esta vizinha lhe falou dela mesma, quando ela regressar a casa, vai perguntar-se porque ela lhe narrou esta história. Talvez esteja a contar a história que eu vivi quando era bebé e da qual não me lembro porque era muito pequena? Ela pôs isso em descodificação, e também outras pequenas coisas, e desta forma ela encontrou um alojamento com uma renda correcta, num sítio da cidade semelhante a uma pequena aldeia, com casas sociais, mas limpinhas, com um pequeno jardim e meios de transporte muito próximos. Isso realizou-se 2 meses mais tarde porque não era uma intenção egoísta, era para permitir uma melhor evolução da sua alma.

Como vêem, a questão das intenções é muito subtil, e o que é difícil é discernir que todos os humanos à nossa volta são partes nossas e que, por vezes, é preciso perguntar-se: “Olha, porque me conta ele isto? Porque é que o carteiro me conta que a sua sogra morreu?” O nosso mental pensa que não temos nada a ver com isso, mas como somos bem-educados, apresentamos os nossos pêsames, e acabou. Mas de facto, não é verdade. Na semana passada Maria teve um sonho onde ela passava através das paredes e, no dia seguinte estávamos num hotel, e como iríamos voltar tarde durante a noite perguntei se era possível termos uma chave da porta exterior e o hoteleiro respondeu-nos: “Não não, mas tenho aqui uma chave mestra (no original: passe-muraille, que significa: passa-muralhas em francês).” Vêem? Não foi por acaso que ele me disse isso. É preciso investir tempo, sentar-se e dizer: “Olha, a minha mulher (ou marido) não tem o hábito de dizer coisas destas. Porque me está a contar esta coisa? Porque reage assim?” É preciso colocar-se a questão e trazer sempre a expressão do outro a nós, porque é uma parte de nós.

Mesmo nos relacionamentos. Há três anos, a água diamante não existia mas havia um produto. Uma senhora vem à minha casa um dia e conversamos frente a frente. Sinto uma energia de atracção física muito poderosa ao seu encontro; e ela também, eu via que ela estava um pouco abalada. Conversamos duas horas, e ela volta para casa. À noite coloco a intenção, nesse produto que tinha, de saber porque tinha havido isso, sabia bem que não era amor, sabia bem que eram padrões que se atraíam como imanes. Dez anos antes, teria entrado na experiência, e seriam precisos seis meses ou um ano de relacionamento antes de compreender. Nessa noite, tive um sonho, onde vi esta pessoa que tinha vindo ver-me, fazer amor com outra mulher. Compreendi então que em mim tinha memórias de homossexualidade feminina, na minha mulher interior. Então pus isso em descodificação, com a intenção de que essas memórias de homossexualidade feminina retomassem o seu devido lugar, fossem equilibradas e tomassem um lugar normal numa encarnação masculina, e também no lado feminino da minha alma. Um mês depois esta senhora voltou para falar comigo, e dessa vez já não houve atracção, nem mais nada. Falei-lhe disso. Disse-lhe: “Sentiste da primeira vez que nos vimos?” e ela disse-me: “Sim, não dormi durante oito dias. Estava toda tentada em telefonar para que fossemos comer ao restaurante juntos e que nos víssemos mais intimamente.” Então expliquei-lhe o trabalho que tinha feito. E disse-lhe: “Mas não és homossexual? Já tiveste relações homossexuais?” Ela disse-me: “Não nunca, mas tive muitas vezes mulheres a propor-mo”, para lhe mostrar que ela tinha isso nela, estão a ver?

Então, vi isso em mim, esta mulher mostrou-mo. Quer seja nas atracções ou nas repulsões – a antipatia, a raiva, a rejeição – é a mesma coisa, é o reverso da medalha. Se eu não lhe tivesse falado em nada, se ela não fosse uma pessoa aberta a esta linguagem, isso não se teria transformado nela. Mas, por outro lado, ela nunca teria voltado para me ver. Enquanto a pessoa volta é porque o padrão não está completamente terminado. Se o padrão for grande, muito pesado, muito antigo, e tiver sido repetido durante muitas vidas, é preciso tempo, tem que se fatiar por camadas. E nessa altura, a pessoa volta sempre, por um acaso, ou então encontra-a na rua, é muito estranho. Pelo facto de eu lhe ter falado, suponho que ela tivesse posto isso em desprogramação, e que isto faz muita diferença. Num caso como este, isso muda fortemente os dados, porque quando desprogramamos este género de memórias, de restos de outras vidas, isso muda toda a energia nas relações heterossexuais. É preciso saber que num homem, ou numa mulher, há ao mesmo tempo o homem e a mulher, e que talvez estas energias homossexuais femininas em mim atraíam a mim parceiras que tinham essa energia enquanto mulheres.

Vejo aqui muitas pessoas jovens, e posso dizer que muitos de entre nós, perdemos muito tempo em relacionamentos unicamente resultante de padrões que foram importantes para ver esses tais padrões e curá-los. Como muitas vezes suportámos estas relações durante muito tempo, eram precisos 7 ou 8 anos para curar 3 padrões. E isso nem sempre é engraçado, há muitas vezes sofrimentos nestes relacionamentos. Então, se descodificarem padrões ao nível do homem e da mulher interiores, sobretudo ao nível emocional, vão automaticamente ser dirigidos, apontados para o homem ou a mulher que vos vai complementar muito mais, sem perder 10 ou 15 anos em relações trabalhosas, onde há a possessividade, o ciúme, etc.

Mesmo as energias de prazer sexual estão muitas vezes ligadas a padrões. Por exemplo, o caso de uma homossexualidade feminina, mesmo num homem como eu, pode levar a ter um grande prazer com uma mulher que tem esses mesmos padrões, senão isso não funcionaria. E isso ainda não é amor, mas é bom de viver também. Maria e eu, conhecemos o caso de uma senhora que tem um aspecto um pouco de criança. Ela tem 50 anos, ela é baixinha, toda fresca, toda frágil, e é uma senhora que teve o seu primeiro orgasmo aos 38 anos. Por outras palavras, durante 18 ou 20 anos de casamento, ela não teve uma única vez prazer sexual com o seu marido. Divorciaram-se. De seguida ela teve várias aventuras; sempre a mesma coisa: tudo parado. Pomos nesses casos a etiqueta de “frigidez”. E depois, um dia ela encontrou um homem com o qual teve uma relação apaixonada. Ele tinha então memórias abundantes que os atraíram um para o outro, e nessa troca ela teve o seu primeiro orgasmo. Ao fim de alguns meses de relacionamento, ela apercebeu-se de que este homem tinha estado na prisão por pedofilia, por violação. O que é que se passou? De seguida ela foi fazer algumas regressões a vidas passadas, e ela percebeu que noutras vidas tinha sido violada por vários homens, mas que ela tinha tido prazer e atingido um orgasmo durante essa violação. Então ela foi obrigada a atrair para si um homem que tinha essas energias para poder gozar. Vêm como isso funciona? Mas a partir do momento em que ela compreende este mecanismo e o descodifica, ela não irá mais atrair este tipo de homens. É o que é maravilhoso numa relação. Ainda por cima, se o fazemos a dois enquanto casal, é fantástico, porque esses padrões acabam por se clarificar, se acalmar, e pouco a pouco a atracção emocional desvanece-se. O que resta é uma complementaridade, uma harmonia, um género de cumplicidade do coração que se cria, e o acto de amor físico faz-se pelo pedido da alma e não mais pelo pedido dos padrões.

Esta mulher curou-se. Ela fez o trabalho de tomada de consciência. Para as pessoas que não fazem esse caminho e que vivem esse tipo de relação, é a dor que transforma a genética da sua carne. Mas se pudermos fazê-lo conscientemente, já não é necessária esta dor, eis a diferença. Há muita gente que sofre traumas, dos desapegos, das dores físicas, das doenças para se transformar, mas se antes compreendermos aquilo que temos em nós, olhando bem em detalhe tudo o que vive ao nosso lado, todo o nosso filme, deixamos de precisar de ir até ao fim da prova que nos fará sofrer. Mesmo se é um padrão fortemente fossilizado e profundo, desde que o descodifiquemos, a prova será curta e menos traumatizante.

Intervenção: Aquilo que é difícil, é provavelmente a descodificação, conseguir compreender aquilo que está por trás…

Sim, por vezes não é preciso procurar muito compreender, basta simplesmente aceitar e acolher. É bom compreender quando somos levados a compreender. Mas também podemos pôr padrões a descodificar e aceitá-los sem compreender a sua origem nem o porquê de termos isto ou aquilo, porque é longínquo; vem, se calhar, de há quinze mil anos atrás…

Um dia, perguntei aos meus guias porque é que eu tinha sofrido tanto durante 45 anos, e eu pensava que tinha um grande carma para ter vivido isso. Então, eles apresentaram-me um sonho no qual havia uma rua que só tinha restaurantes dos dois lados. Eu tinha que entrar em cada restaurante, um a seguir ao outro, um lado da rua a seguir ao outro. Em todos os restaurantes estava limpo e luminoso. Mas sobravam migalhas de pão em cima das mesas. Eu tinha que apanhar cada migalha, em todos os restaurantes do lado masculino e do lado feminino das minhas vidas de homem e de mulher, para tudo limpar e tudo esfregar fortemente. Isso tudo eram apenas migalhas, mas eu garanto-vos que elas são muito resistentes!

In “Água Diamante uma Consciência” de Joël Ducatillon

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