Family_Portrait_by_LiolColocamos uma intenção em frente ao copo de água Diamante, não da garrafa. Não há método, é preciso que seja espontâneo. Também não se deve pôr uma tonelada de intenções, senão caímos no método e na rigidez. Em relação ao exemplo citado, a intenção pode ser de transformar uma memória ou de a tornar mais Crística, mais no amor, mais na partilha ou coisas deste género. Mas de qualquer modo, sendo a nossa línguagem uma de dualidade, mesmo esta intenção pode até ser errónea. Não há uma língua da unidade, isso não existe, por isso não vale a pena preocupar-se, porque de facto as intenções não saem pela cabeça, mas pelo plexo solar sob forma de frequências luminosas, e estas frequências sim, estão certas, sob qualquer circunstância, mesmo que não coloques as palavras correctas, ou que não elas estejam orientadas perfeitamente.

De facto, reparei que há três etapas para chegar à transformação da memória. Há primeiro   A Aceitação. Ela faz-se com a cabeça: aceito que esta pessoa ou este evento infeliz que me está a acontecer, é algo que provoquei; esta pessoa é uma parte de mim. Isto é do mental, mas já é uma prova de humildade, isto é, de que pusemos o orgulho na prateleira. Sim, está bem, o que me mostram não é muito bom mas tenho-o em mim, é uma cassete, um vídeo que tenho aqui. Tento não formular um julgamento, não é nem bem nem mal. Estou certo de que todas as atrocidades que vemos na humanidade neste momento, temo-las todas pelo menos numa célula, cada um de nós. Se as tivéssemos nos 10 biliões de células, passaríamos à acção, como eles, porque o motor seria demasiado forte. Então vejam, não podemos julgar nada; tudo é justo.

Depois, é preciso tentar chegar ao Acolhimento. E isto, isto faz-se com o coração. Mas infelizmente, o coração, não o comandamos, é preciso que isso aconteça sozinho. Então a passagem que está aqui, pode por vezes durar três semanas, um mês, dois meses, seis meses, porque ainda há raivas, rebeliões, rancores; não conseguimos perdoar. Mesmo se sabemos que é verdade, que essa pessoa faz parte de nós, ela fez-nos tanto mal durante 25 anos que já não aguentamos. Então aí, é preciso reconhecer simplesmente a reacção. A passagem das reacções está aqui, entre a cabeça e o coração. No entanto, nesta passagem, se realmente houver um rancor muito forte, uma grande cicatriz, podemos pôr a intenção na água diamante de conseguir chegar ao acolhimento, de chegar a acolher e amar esta pessoa que nos fez sofrer durante 20 ou 30 anos.

É muito válido no trabalho com o nosso pai e a nossa mãe, porque todos temos mais ou menos queixas contra eles. E, em geral, fica mais rápido. Quando chegamos ao acolhimento há até mesmo, por vezes, aquilo a que chamo de emoção do coração. Isto é, quando tomamos verdadeiramente consciência de que estes seres – a mãe e o pai ou outra pessoa – que foram um pouco duros connosco quando éramos crianças, vieram eles também com uma mochila cheia de memórias, que eles foram educados num sistema que era muito mais apertado do que agora e que eles fizeram o que puderam; eles deram-nos tudo aquilo que puderam dar, mesmo se foi muito pouco. Mesmo se eles nos deram estaladas ou foram avarentos connosco, ou sem afecto, ou sem diálogo, é porque não foram capazes de o dar por causa de todas estas memórias que tinham. E nós, no lugar deles, teríamos feito a mesma coisa. A partir daí, a reacção começa a cair. Começamos a compreender que somos nós mesmos que escolhemos os nossos pais, sobretudo para não esquecer o que tínhamos para entender nesta vida, com o fim de o curar e transformar. Há então uma emoção do coração,uma emoção de amor, e quando chegarem aí, repararão que da próxima vez que virem os vossos pais eles não estarão iguais. Haverá mais fluidez na comunicação, mais autenticidade; eles revelar-vos-ão estas coisas das suas vidas que nunca vos tinham dito. Serão mais fraternais.

É só nessa altura que poderão pôr a intenção na água diamante de  transformar, de tornar transparente, de tornar Crístico – consoante a vossa linguagem – de vos libertar, se houver um velho medo, uma cicatriz, um velho sofrimento que está cá, de vos Libertar desse sofrimento que já não vos pertence. O maior trabalho está aí: não é a água diamante que faz esse trabalho, são vocês. Mas a água diamante, ao ver todo este amor que têm por vocês próprios e estas partes de vós, vai automaticamente intervir a nível celular, para que façam num ano o que teriam feito em dez anos. É só essa a diferença. Mas alguém que faz este trabalho e não tem água diamante, chega na mesma ao mesmo resultado. Não tomem a água diamante por uma panaceia milagrosa. Ela somente acelera o vosso trabalho.

Aquele que não conheceu os seus pais, se viveu num orfanato ou numa família adoptiva, é porque escolheu as pessoas do orfanato ou as da família adoptiva como espelho para se lembrar, mas no terreno de outra genética. Aí, há muitas vezes uma subtileza. Vemos famílias, nomeadamente no caso das pessoas que foram adoptadas, onde a pessoa nasceu de uma genética, e de seguida foi outro pai que não o seu que lhe deu os espelhos, mas sobre uma genética que não é a sua. É o caso, por exemplo, onde o pai adoptivo não é muito evoluído, e foi escolhido por uma alma avançada que deve fazer um caminho aprofundado e que deve lembrar-se das memórias que este pai adoptivo lhe deve transmitir, mas ela não quer a sua própria genética porque ela não conseguiria nesse caso transformá-la, pelo facto de estas memórias ficarem demasiado ancoradas e fossilizadas na sua carne de encarnação. Ela vai escolher a genética de um pai (biológico) mais avançado, mas tomar na mesma as memórias deste pai (adoptivo) menos evoluído, para se lembrar que ela as deve curar, e ela vai curá-las muito mais facilmente do que se tivesse a genética desse mesmo pai (adoptivo).

As crianças adoptadas procuram o seu verdadeiro pai ou verdadeira mãe, compreendemo-las, tanto mais que se cultivou o culto do pai e da mãe, o que é uma usurpação da paternidade de Deus e da maternidade da mãe terra. Lembram-se que Jesus disse: “A ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai.” É verdade que os adultos que geraram um veículo fazem um acto de amor e de acolhimento, porque é todo um trabalho ter uma criança durante 20 anos em casa, é preciso cuidar dela, e mesmo depois. Mas os pais não têm nenhum direito de propriedade sobre a criança, nem nenhum direito de lhe impor o que quer que seja, nem nenhum direito de autoridade. Eles devem simplesmente dar-lhe as estruturas de base para que esteja ancorado, e deixá-lo fazer o que ele quer da sua vida, dando-lhe os conselhos e sugestões que ele pede. É só. Mas se um dia ele quiser partir e não nos ver durante 40 anos, não deveria haver problemas, nem apego, nem posse. Mas como nós somos todos endoutrinados nesta história tribal, de mamífero, isto ainda existe, e a criança quer muitas vezes reencontrar o seu pai ou mãe biológicos para ver o que eles parecem. Mas quando os encontra, isso não corre bem, porque apanhou os padrões dos pais adoptivos. É aí que vemos que a ligação genética é um terreno de base, mas são as cebolas que lá plantamos que contam.

No que toca aos padrões, penso muitas vezes na parábola do Filho Pródigo, de Jesus. Lembram-se desta parábola, onde o pai dá dinheiro a um filho que o vai gerir correctamente, honestamente e seriamente, enquanto que o outro filho pega no dinheiro, faz de tudo, festeja,torna-se num libertino e esbanja todo o dinheiro. Uma vez que se encontra sem abrigo, sem nada, em vez de se assalariar com um estranho, volta para se assalariar na casa do pai. O pai vê-o chegar, num estado lamentável – ele representa o padrão do qual se tomou consciência – e, por amor, ele abre- lhe os braços, não lhe faz nenhuma pergunta, nem lhe pergunta onde esteve, o que fez do dinheiro, de toda essa energia divina que ele esbanjou, e mais, manda preparar-lhe um banquete, faz-lhe uma festa. Neste caso, é um trabalho que, em mim e ao meu redor desenvolve muito o lado feminino, a compaixão da Mãe divina, que não tem em conta o que foi feito mas o que a pessoa é, e a sua vontade do momento presente.

A intenção do momento presente deste padrão é de voltar para Deus. Suponhamos que tem um padrão de roubo em si e que este padrão quer voltar para Deus mas não sabe como fazer. O que se vai passar? Há um ladrão que vai assaltar-lhe a casa, e este ladrão, atraído por esta memória, mostra-lhe que esta memória quer voltar para Deus. Enquanto o veículo, que é na realidade um tubo de ensaio de transformação alquímica Crística prevista para transformar esta memória, não aceitar, abrindo o estômago do mental – isto é, enquanto o mental não tiver aceite e o coração não fabricar um banquete para esta energia de roubo que temos em nós e que o outro mostrou – automaticamente esta memória vai ficar na mesma e iremos morrer com ela e, noutra vida, vão outra vez ser assaltados e assim, de seguida, o carrossel vai girar sem parar. É o que se pode chamar morrer idiota: robotizámos e demos a mesma volta. Enquanto que aí, reparem que descodificando estas memórias, refazem algumas vezes a mesma volta mas uma espiral acima. Isto torna-se cada vez menos traumatizante. Vão ver que, descodificando uma memória de roubo, já que estamos a falar nisto, seis meses mais tarde ou dez meses mais tarde vão encontrá-la mas em menor intensidade, isto é, vão roubar-lhes o batom, ou uma bugiganga qualquer, e é cada vez menos intenso. E aí, põem de novo em descodificação, porque são memórias que emergem por camadas, como os aluviões, como o lodo de um rio, que sobe para a superfície. Apanhamo-lo e há outro que volta a subir, e assim sucessivamente…

Até ao dia em que chegam ao núcleo central (que nas lendas penso se chama o guardião do limiar), aí onde tudo se encontra ainda, mas enquanto gérmen. E aí, deve fazer-se outro trabalho, que tem de ser uma ruptura, uma fractura pelo fogo, pelo fogo cósmico e pela subida da kundalini. Neste estágio estão realizados. Em suma, é assim que funciona. Mas se não conseguir amar, porque é muito difícil, pense nesta parábola do Filho Pródigo. Pense que esta memória o persegue para voltar. Então o que se passa? No seu subconsciente e no seu consciente, é um puzzle, e este puzzle imenso onde se encontram 1500, 2000 memórias diferente, grandes, pequenas, antigas, mais recentes, cada vez que as acolhe e as transforma, é como se reencontrasse uma peça do puzzle. Assim, a paisagem da sua personalidade começa a desvendar-se, o que faz com que se conheça cada vez melhor e cada vez mais completamente. E o facto de se conhecer cada vez melhor leva-o a conhecer os outros cada vez mais na sua totalidade e, consequentemente, a amá-los cada vez mais, o que faz com que os outros o amem ainda mais e, sendo ainda mais amado, atrai até si a alegria, a abundância, a serenidade, a liberdade e a certeza de que é soberano da sua vida e que tem a chave para agir com todo o seu poder sobre o ecrã da sua vida, mudando no interior sem nunca corrigir nada, nem impor, nem rectificar no exterior.

No passado, eu corrigia tudo. Ainda me acontece agora. Era um professor. Esta energia do aluno e do professor está actualmente transformada. Hoje em dia, quando vejo alguém cometer um erro, não lhe digo nada, deixo-o fazer. Mesmo que ele vá queimar-se ou partir uma perna; não digo nada, deixo-o fazer, e pergunto-me porque atraio a inaptidão do outro à minha frente. E quando entendi que ele ma mostra, a sua inaptidão cessa. Então, não o corrigi. É preciso chegar mais ou menos a isso, mas para isso é preciso ter confiança, porque o inábil arrisca-se a partir um vaso da china que lhe custou 100 000 Francos. É preciso ser-se observador e espectador de si, no outro. É desta forma que descodificam. Nos sonhos, todos os indivíduos com os quais sonha fazem parte de si. Nunca sonha com os outros, porque a alma nunca fala dos ausentes.

In “Água Diamante uma Consciência” de Joël Ducatillon

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